4 de outubro de 2011

Inatingível...

Esse é o trecho de um e-mail que escrevi para F., ano passado, sobre como o via, como parecia inatingível para mim seu temperamento descomprometido, com tudo, com todos, com a realidade. E, ao mesmo tempo, era absurdamente atraente esse comportamento. Como há pessoas inatingíveis! (Ou será só a nossa idealização dessas pessoas que as torna assim?). Ele imprimiu esse e-mail e disse que foi a coisa que mais gostou que escreveram sobre ele. Até hoje, não entendi muito bem, mas aceitei. Fico no comodismo da aceitação qdo a compreensão se torna difícil. Ei-lo:

"A verdade é que fico sempre pensando se posso ou devo te procurar, se vc vai responder, se vai querer me encontrar, se é uma boa ou péssima hora. Fico deitada de bruços ouvindo música com um livro na minha frente, às vezes, só pensando como seria a melhor forma de agir pra não parecer idiota, não parecer uma desesperada que quer mto ficar perto de vc naquele momento. 
Mas tudo que me vem à cabeça e a imagem de vc como um pássaro solto e meio bobo, que voa de lá pra cá de forma irregular e desnorteia a visão de todo mundo, e que, como pássaro, simplesmente voa e é mto difícil de pegar, simplesmente voa e não vai jamais pensar em dizer pra quê, pra onde e como voa, porque isso é simplesmente natural e insitintivo para um pássaro. Aí eu me sinto como aquela menina frustrada que ficou o dia inteiro querendo pegar o pássaro na mão, mas que não conseguiu, especialmente porque não se deu nem ao trabalho de fazer uma arapuca pra tentar capturá-lo, até mesmo porque não tem a menor ideia de como montar essa arapuca. 
Qual seria a arapuca adequada pra não machucar o pássaro, não assustar ou afugentar o pobrezinho, ainda mais qdo a própria menina não conseguiria imaginar-se na posição de estar presa em uma arapuca, por mais cuidadoso que fosse quem tivesse construído a armadilha. Aí já tá tarde e eu resolvo voltar ao meu livro e terminá-lo de uma vez, solto um suspiro profundo de frustração e acho que não há nada mais a fazer. Parece que tudo escorre pelas minhas mãos e eu sou burra demais pra conseguir fazer alguma coisa".

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