Volto novamente a esse espaço que sempre foi meu, mas que negligenciei em nome de receios, medos, imagiários e, infelizmente, reais. Mas é meu, e que seja assim pelo tempo em que existir.
Como é estranho sentir meu próprio corpo, aquele mesmo que pela primeira vez senti como meu em um tempo ancestral, ao tocar minha pele e, em um suspiro de espanto não percebido, atestei minha existência. Como é estranho sentí-lo fincado no chão através dos meus pés, atado às paredes pelas minhas mãos trementes, conectado ao ambiente por uma mente confusa.
Não há felicidade que não gere um estado desesperador de medo antes. E talvez, durante. Sentir meu corpo diminuir seu peso, seu tamanho, e ao mesmo tempo me perder na ausência dos sentimentos que eu sabia que me faziam viva. O meu peso, que pude rever nas aulas ser o resultado da multiplicação da minha massa pela gravidade: é uma força que a Terra exerce sobre mim, em módulo, e à qual meu invólucro responde prontamente: produz uma força contrária, de igual intensidade, mas de sentido oposto. E seu nome, quase ri da minha cara: "Normal".
O perfeito sincronismo com o universo. Mesmo que eu não sinta, há uma paz entre a Terra e meu corpo. Qual parte dele? Exatamente seu peso. Que não passa de uma grandeza, afinal, nada digno de severas preocupações.
Isso se não existissem outras grandezas, no entanto, não mensuradas ou avaliadas pela ciência da Física, que me fazem, exatamente, querer desafiar essa lei geral e universal: a Minha Lei.
Levitar, quem sabe? Sentir um quase não peso? Reduzir minha parte concreta no mundo a pedaços desconexos, e, assim feito, não mais ter de me preocupar com eles. Queria poder deixar cada uma das partes estilhaçadas em um canto do mundo, um longe do outro, e ficar apenas com minha cabeça.
Que coisa ridícula, veja só: é justamente minha cabeça santíssima que cria essa própria Lei. É ela quem vai fazer, assim como em um campo magnético, com que as partes perdidas assumam cargas de valores contrários e voltem e se unir. Mesmo que eu não sinta unidade no meu corpo, ele há de ficar íntegro. O campo magnético que vá para as cucuias, se uma quantidade de energia muito grande for ali detonada, eu poderia talvez...explodir?

Nenhum comentário:
Postar um comentário